sábado, 21 de maio de 2011

Uma definição angustiada

Angústia é uma quantidade de ar exagerada que consumo que se diverte em comprimir todos os meus tecidos. E, para que eu não perceba, coloca a culpa em situações.
Pobrezinho do meu cérebro, de inocente que é, acredita.
Sigo eu me apertando!

domingo, 15 de maio de 2011

Vício

O café para ligar
O cigarro para desligar
O dinheiro para o poder
O psiquiatra para esquecer
O conhecimento que busco
É o que me consome.
A razão que anseio
Me emburrece de sentimentos.
Um dia para curar
Outro dia.
O tempo para todo o resto.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Quando me estranho

Não que eu esteja com ciúmes

É que, de repente, meu coração foi diminuindo

A medida que meus pulmões tomaram formato de agulhas.

É que, entre tantas outras coisas, eu não tenho esse direito.

Nos dei essa liberdade.

Sim, eu estou com saudades!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Sobre o movimento, a água e as entrelinhas

Não é escrever poesia, é ver poesia, sentir poesia. O muito que perdemos nossa sensibilidade aos movimentos quase imperceptíveis das coisas, de todas as minucias presentes no mundo. A nossa busca nos impede de perceber quão vagarosamente vão compondo essas danças naturais ao nosso redor.

O movimento é algo realmente encantador. Repare com que complexa simplicidade cai vagarosamente cada gota de nosso copo d’ água. As pessoas não deveriam se entorpecer para reparar a singeleza de cada traço universal. É fascinante o deslize do ar levando as folhas e flores e poeira do caminho. Do mesmo modo é fabuloso a dança da água contornando as pedras, ao mesmo tempo em que avassaladora, quase a pedir licença para traçar seu caminho. (Vezes de fúria deve ser dias de confusão desse casamento tão duradouro – água e pedra!- todo casal tem seus desentendimentos).

Tenho prestado um pouco mais de atenção a toda beleza que meu cotidiano me impedia de ver. Incrível que, mesmo meu trabalho sendo a vida, fazia muito tempo que não a reparava, que não analisava sem todo aquele aparato técnico. Incrível como o conhecimento no mesmo instante em que nos abre para tantas coisas, nos cega para tantas outras. Ficamos céticos e técnicos demais e perdermos a magia existente ao redor.

Queria compartilhar a maneira como agora vejo (no sentido de ver mesmo – com olhos!- e não no sentido figurado) as coisas por aí. Fiquei a eternidade de vários minutos observando o bater das asas de um passarinho (aquela forma descompromissada de seus movimentos; e tão elegantes) . Este ócio mercecido foi de uma leveza tão feliz...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Teoria Romântica

Não precisa ser eterno. Precisa ser bom!
Estava pensando em uma definição para o romantismo. Uma definição que não envolvesse essa obrigatoriedade do longo, do contínuo. Essa necessidade de continuar gera expectativas e, na maioria das vezes, é ela a responsável pelo fim. É a expectativa que decepciona. Engraçado que temos uma mania estranha de tendar moldar as outras pessoas e situações sempre ao modo que nos convém. Esquecemos que também merecem a mesma liberdade que queremos a nós mesmos.
Ser romântico é ser intenso, é doar-se, não importanto se por uma noite, um dia ou uma vida inteira. E também não é necessariamente com alguém, mas algo. Pode-se ser romântico com a vida, permitindo-se suas delícias.
Ser intenso nas relações, nas atitudes... Se houver vontade de continuar, é essa que vai vindo sem a intenção, mas do carinho que é necessário ao novo e novamente. Se não houver, é porque o exctase do momento bastou-se por si só. Isso não vai fazê-lo pior. Se foi bom, basta!
Quando não estiver mais fazendo feliz, é hora de parar. E daí surgirá algo que completará de novo.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O que não percebo

Descobri que a chance das coisas acontecerem são inversamente proporcionais ao quanto as desejo conscientemente. Ponto para o inconsciente!
(Talvez seja por isso que eu o encontro todos os dias.)
Negue e acontecerá!

segunda-feira, 14 de março de 2011

Resumo de Aula

Por que as coisas são o que são? O óbvio não foi sempre óbvio. Ele estava despercebido até que alguém o reparou pela primeira vez.
Uma aula realmente inspiradora. São tão poucas as vezes em que pensamos o porque de todas as coisas. Nos acostumamos com as coisas acontecendo e não pensamos por que elas acontecem.
O simples não foi sempre simples. Ele poderia ter sido parte de todas as outras complexidades as quais nos são alheias.
Fiquei longas horas pensando de onde surgiram as tão numerosas crenças do folclore, não apenas da sociedade como um todo, mas também do folclore pessoal (e da comunidade inteira que habita dentro de cada um). E se todas as fantasias realmente são? Tenho uma grande dificuldade em separar o que é do que não. E se parece que não, mas são? Verdades não são incontestáveis. Sendo assim, existe irreal?
O quanto subjulgamos as outras espécies e nos consideramos superiores é algo realmente intrigante e sem fundamento. O nosso conhecimento é tão limitado sobre todos os mistérios das demais espécies que não duvidaria que elas soubessem mais a nosso respeito do que ousamos saber a respeito delas.


Este texto foi escrito durante uma aula de Ecologia Florestal. Portanto, crédito seja dado ao Professor Marco Aurélio pelas palavras do primeiro parágrafo. O demais é resultado das minhas próprias dúvidas em sala de aula.